Sinusite crônica e aguda: entenda as diferenças e os tratamentos para a doença

Sinusite crônica e aguda: entenda as diferenças e os tratamentos para a doença

Embora compartilhem sintomas semelhantes, os dois tipos de rinossinusite têm causas, duração e tratamentos distintos

Dor na face, nariz entupido e sensação de pressão ao redor dos olhos costumam ser associados a um único problema. Mas a sinusite crônica e a aguda não evoluem da mesma forma em todos os pacientes. A doença afeta uma parcela significativa da população mundial: segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), entre 15% e 20% da população mundial apresenta a condição.

Conhecida tecnicamente como rinossinusite, ela corresponde à inflamação simultânea da mucosa do nariz e dos seios da face, estruturas que aquecem, umidificam e ajudam a filtrar o ar inspirado. Nas grandes cidades, esse quadro pode ser agravado pela poluição atmosférica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 99% da população respira ar com níveis de poluentes acima do considerado seguro, fator associado ao agravamento de doenças respiratórias e processos inflamatórios das vias aéreas.

O que é a sinusite e por que ela ocorre?

Os seios da face são cavidades cheias de ar localizadas ao redor do nariz, das bochechas e dos olhos. Em condições normais, produzem muco, responsável por reter partículas e microrganismos que chegam pelas vias respiratórias. Esse material é eliminado por um mecanismo conhecido como depuração mucociliar, sistema natural de limpeza do nariz.

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Quando a mucosa inflama, esse processo fica comprometido, favorecendo o acúmulo de secreções e o desenvolvimento da rinossinusite. Infecções virais, bactérias, alergias, pólipos nasais, desvio de septo, tabagismo e exposição frequente à poluição estão entre os principais fatores associados.

Sinusite crônica e aguda: quais são as diferenças?

A principal diferença entre os dois quadros está na duração dos sintomas. A sinusite aguda costuma desaparecer em até quatro semanas e, na maioria das vezes, surge como consequência de gripes ou resfriados, sendo a forma mais frequente da doença. 

Segundo o European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps (EPOS 2020), a rinossinusite aguda tem origem predominantemente viral, e apenas uma pequena parcela dos casos — entre 0,5% e 2% — evolui para infecção bacteriana.

Já a sinusite crônica persiste por mais de 12 semanas, mesmo com tratamento, e costuma estar relacionada a um processo inflamatório contínuo. Além de alergias, pólipos nasais e alterações anatômicas, como o desvio de septo, algumas pessoas apresentam redisposição genética que influencia a resposta do sistema imunológico e o funcionamento da mucosa nasal.

Na sinusite aguda, os sintomas mais comuns são:

  • Congestão nasal;
  • Secreção espessa, amarelada ou esverdeada;
  • Dor ou pressão na face;
  • Dor de cabeça;
  • Febre, em alguns casos.

Na sinusite crônica, predominam:

  • Obstrução nasal persistente;
  • Redução ou perda do olfato;
  • Gotejamento pós-nasal;
  • Tosse, principalmente à noite;
  • Sensação contínua de pressão facial;
  • Cansaço e impacto na qualidade de vida.
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Diagnóstico e tratamentos da condição

O diagnóstico começa pela avaliação dos sintomas, do histórico clínico e do tempo de evolução do quadro. Quando os sinais desaparecem em até quatro semanas, a tendência é que a condição seja classificada como sinusite aguda. Já sintomas que persistem por mais de 12 semanas, mesmo após o tratamento, levantam a suspeita de sinusite crônica.

Para complementar a investigação, o otorrinolaringologista pode solicitar exames como endoscopia nasal, que permite visualizar o interior das cavidades nasais, e tomografia computadorizada, utilizada para identificar a extensão da inflamação, pólipos, desvios de septo e outras alterações anatômicas.

A conduta depende da causa da doença e pode incluir lavagem nasal com solução salina, medicamentos para reduzir a inflamação, controle de alergias e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos para restabelecer a drenagem dos seios da face.

Quando o paciente apresenta episódios frequentes de sinusite bacteriana, especialmente na forma crônica, o especialista também pode investigar se existe algum comprometimento da resposta imunológica. Nesses casos, o médico pode considerar medicamentos imunomoduladores, como o leucogen, quando houver evidências de alterações na resposta imunológica e indicação clínica individualizada.

Cuidados que ajudam a preservar a saúde respiratória

Alguns hábitos rotineiros também contribuem para reduzir o risco de crises. A higiene nasal com solução salina ajuda a remover partículas e secreções das vias aéreas, enquanto a hidratação favorece a fluidez do muco e seu escoamento. Controlar alergias e evitar fumaça de cigarro também faz parte dos cuidados.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca ainda que diminuir a exposição à poluição atmosférica é uma das principais estratégias para proteger a saúde respiratória, especialmente em grandes centros urbanos, onde a concentração de poluentes favorece processos inflamatórios das vias aéreas.

Isso inclui acompanhar os boletins de qualidade do ar, evitar atividades físicas ao ar livre quando a concentração de material particulado fino (PM2,5) estiver elevada e manter portas e janelas fechadas nos horários de maior poluição. A OMS considera seguro um nível médio anual de até 5 μg/m³ de PM2,5 e recomenda atenção quando os índices permanecem acima desse valor.

Compreender o tipo de sinusite é essencial para um tratamento adequado

Assim, vale ressaltar que, apesar de apresentarem sintomas semelhantes, sinusite aguda e crônica exigem abordagens diferentes. Identificar corretamente a duração dos sintomas, os fatores desencadeantes e a presença de doenças associadas permite um tratamento mais preciso. Diante de crises mais intensas e recorrentes, a orientação é procurar avaliação médica e evitar a automedicação, garantindo uma conduta adequada para cada caso.