Declaração do IR terminou, mas preparação para 2027 deve começar agora

Declaração do IR terminou, mas preparação para 2027 deve começar agora

Com o encerramento do prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2026, muitos contribuintes tendem a deixar o assunto de lado até o próximo ano. Mas especialistas alertam que a preparação para o IR 2027 deve começar agora e, desta vez, merece atenção redobrada devido às mudanças implementadas pelo governo federal que passam a valer ao longo já deste ano.
As novas regras instituídas pela Lei 15.270/2025 incluem a ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês, alterações na tributação da alta renda e novos mecanismos de cruzamento de informações pela Receita Federal. O cenário afeta pessoas físicas, profissionais liberais, empresários, investidores e trabalhadores que atuam por meio de pessoa jurídica.
Segundo o advogado tributarista André Lemos Batista, sócio da LBA Soluções em Negócios, a principal mudança de comportamento necessária é deixar de enxergar o Imposto de Renda como uma obrigação que começa apenas em março ou abril.
“Com as novas regras, deixar para pensar no imposto apenas no momento da declaração pode impactar significativamente a carga tributária. A base de cálculo do que será apurado em 2027 está sendo construída agora, ao longo de 2026”, explica.
De acordo com ele, a nova faixa de isenção pode levar alguns contribuintes a uma falsa sensação de tranquilidade. “Muita gente acredita que estar isento significa não precisar guardar documentos ou acompanhar movimentações financeiras. Isso não é verdade. O controle patrimonial e financeiro continua sendo fundamental para evitar inconsistências futuras”, orienta.

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Alta renda entra no radar
Uma das principais novidades está relacionada à tributação mínima para contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil. A medida atinge especialmente empresários, investidores, médicos, dentistas e outros profissionais que atuam por meio de pessoas jurídicas e recebem grande parte de sua remuneração por distribuição de lucros.
“A nova alíquota mínima afeta principalmente contribuintes cuja renda vem do lucro distribuído das próprias empresas. Na prática, estruturas que concentravam a remuneração em dividendos passam a exigir uma análise muito mais cuidadosa”, explica Batista.
Outra mudança importante prevê a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de 10% sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física quando o valor ultrapassar R$ 50 mil em um único mês.
Segundo o especialista, isso exige acompanhamento constante ao longo do ano. “O monitoramento mensal dos dividendos recebidos passou a ser essencial. Dependendo da forma como os rendimentos forem distribuídos, o contribuinte pode antecipar ou reduzir impactos tributários dentro dos limites legais”, afirma.

  
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Receita amplia capacidade de fiscalização
Além das mudanças nas regras de tributação, a Receita Federal passou a contar com mecanismos mais rápidos de cruzamento de dados após a substituição da antiga DIRF por sistemas como eSocial e EFD-Reinf.
Na prática, informações que antes eram transmitidas uma vez por ano agora chegam mensalmente ao Fisco, aumentando a capacidade de identificação de inconsistências.
Entre os principais erros que podem levar à malha fina estão divergências em salários, férias, 13º salário, distribuição de lucros, rendimentos de dependentes e despesas médicas.
“A Receita terá condições de identificar inconsistências com muito mais rapidez. O cruzamento de informações passou a ser praticamente contínuo, o que exige atenção maior tanto das empresas quanto dos contribuintes”, alerta o advogado.

  

Organização ao longo do ano
Para evitar problemas na declaração de 2027, o especialista recomenda algumas medidas simples, mas que fazem diferença no resultado final.
Entre elas estão a separação entre contas pessoais e empresariais, organização mensal de documentos, controle das despesas dedutíveis, acompanhamento de investimentos, revisão da política de distribuição de lucros e atualização do planejamento patrimonial.
Batista também recomenda que empresários e profissionais liberais revisem suas estruturas societárias ainda este ano. “A reforma não acabou com o planejamento tributário. Pelo contrário: ela tornou o planejamento ainda mais necessário. Existem estratégias legítimas de gestão patrimonial e tributária que precisam ser avaliadas com antecedência para produzir efeitos concretos”, afirma.
Por isso, ele defende que a preparação para o próximo Imposto de Renda não fique restrita ao período de entrega da declaração. “Contadores e advogados tributaristas devem atuar de forma integrada. Quem se organiza apenas na época da declaração perde a oportunidade de tomar decisões que podem gerar mais segurança jurídica e eficiência tributária ao longo do ano”, conclui.

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