Do CLT ao empresário: a virada que ninguém vê

Do CLT ao empresário: a virada que ninguém vê

Economista deixa grandes bancos para empreender e revela os bastidores da transição que vai além da carreira e transforma identidade, mentalidade e propósito

A trajetória de quem constrói uma carreira de sucesso no mercado financeiro costuma ser vista de fora como linear: formação sólida, grandes instituições no currículo, estabilidade e ascensão profissional. Mas, para muitos executivos, chega um momento em que a previsibilidade deixa de ser suficiente.

  

Foi esse o ponto de inflexão vivido por Fábio Louzada.

  

Após anos atuando em algumas das maiores instituições financeiras do país, entre elas Itaú, Santander, Citibank e Bradesco, o economista tomou uma decisão que, à primeira vista, parecia contraditória: deixar para trás a segurança da carreira corporativa para empreender.

  

A mudança, no entanto, esteve longe de ser impulsiva.

  

Migrar do ambiente tradicional para o empreendedorismo significou abrir mão de estabilidade, estrutura e previsibilidade para assumir riscos, construir marca própria e começar um novo ciclo praticamente do zero,  um movimento que, segundo especialistas, tem se tornado cada vez mais comum entre profissionais de alta performance.

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Mas a transição raramente é tão simples quanto parece.

  

Por trás da narrativa de sucesso que costuma acompanhar esse tipo de mudança, existe um processo pouco falado: a adaptação emocional e prática de quem deixa de operar dentro de uma grande estrutura para se tornar responsável por todas as decisões do próprio negócio.

  

No caso de Louzada, a virada envolveu transformar conhecimento técnico em produto, audiência em ativo e autoridade em negócio.

  

Hoje, à frente da B7 Business School, ele atua na formação de profissionais do mercado financeiro por meio de um modelo que propõe uma ruptura com o ensino tradicional, mais focado em prática, leitura de cenário e tomada de decisão real de mercado.

  

A trajetória acompanha um movimento mais amplo que vem ganhando força no Brasil: o de profissionais que deixam carreiras corporativas consolidadas para monetizar conhecimento, construir comunidades e estruturar negócios baseados em autoridade.

  

Mas, segundo o empresário, existe uma visão romantizada sobre esse processo.

  

A troca do crachá pela liberdade empresarial costuma ser vendida como um salto imediato para autonomia, quando, na prática, representa aumento de responsabilidade, pressão e risco.

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Empreender, especialmente após anos em uma estrutura consolidada, exige reconstrução de identidade profissional, adaptação de mentalidade e disposição para lidar com incerteza constante.

  

Nesse cenário, a principal mudança não está apenas na rotina, mas na lógica de funcionamento.

  

No ambiente corporativo, performance costuma significar executar bem dentro de uma estrutura já existente. No empreendedorismo, significa criar a própria estrutura enquanto se executa.

  

A história de Louzada ilustra justamente essa virada silenciosa que muitos não veem: a transição entre ser um profissional de alta performance dentro de uma empresa e tornar-se responsável por construir algo próprio.

  

Mais do que uma mudança de carreira, trata-se de uma mudança de identidade.

  

E, ao contrário do que as redes sociais frequentemente mostram, essa virada raramente acontece em um único momento.

  

Ela é construída, decisão por decisão, muito antes de se tornar visível.

  

DAIANE BOMBARDA
Jornalista/Assessoria de Imprensa
(16) 99775-3636