Incidência de tumores femininos cresce no Brasil

Incidência de tumores femininos cresce no Brasil

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, evento “Mulheres em AntecipAÇÃO” reúne especialistas em SP para alertar sobre fatores de risco e prevenção dos tumores de mama, de útero, colorretal e pulmão

No momento em que o câncer se consolida como uma das principais causas de mortalidade entre mulheres no Brasil, entidades médicas promovem em São Paulo, nesta sexta-feira 6 de março, a segunda edição do evento “Mulheres em AntecipAÇÃO – Autoconhecimento é poder!”, com foco em prevenção e diagnóstico precoce dos tumores femininos. O seminário é promovido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), o Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM), o Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) e Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG). O objetivo é ampliar o diálogo entre especialistas e população, reforçando sinais de alerta, fatores de risco e exames recomendados.

  

“Antecipação significa agir antes do problema se agravar. No câncer, tempo é determinante”, resume a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dra. Clarissa Baldotto.
Com a expectativa de aumento da incidência nas próximas décadas, profissionais de saúde defendem que prevenção, vacinação e diagnóstico precoce serão centrais para reduzir mortalidade e desigualdade no acesso ao tratamento do câncer.

  

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que os tumores de mama estão entre os mais frequentes entre as brasileiras. Para cada ano do triênio 2026–2028, estima-se 78.610 novos casos. Na sequência aparecem os cânceres colorretal (27.540), do colo do útero (19.310) e de pulmão (16.650).

  

Para a presidente da SBOC, a combinação entre envelhecimento populacional e falhas no acesso ao rastreamento ajuda a explicar esse cenário. “O Brasil está em processo de envelhecimento populacional, e o câncer é uma doença associada à idade. Mas o que realmente impacta a mortalidade é o diagnóstico tardio. Quando conseguimos identificar a doença em estágios iniciais, as chances de cura aumentam de forma significativa”, explica Dra. Clarissa Baldotto.

  

Câncer de mama lidera incidência

O câncer de mama responde pela maior parcela dos diagnósticos femininos, correspondendo a 30% dos casos. Enquanto no triênio de 2023 a 2025, registravam-se anualmente 73.610 novos casos de câncer de mama no país, no período de 2026 a 2028, a expectativa é de que sejam registrados 78.610 casos, representando um aumento de 6,8%.

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A mamografia é um dos principais recursos para a detecção precoce deste câncer. O exame gera imagens de alta qualidade e revela sinais iniciais da doença. Embora o Ministério da Saúde recomende a mamografia a partir dos 50 anos de idade a cada dois anos, Sociedades médicas defendem sua realização anual a partir dos 40 anos. Se alterações pré-malignas e tumores mamários forem detectados na fase inicial, as chances de cura chegam a 95%.
Acesso à informação é parte essencial da estratégia de enfrentamento. “Autoconhecimento não substitui o exame médico, mas ajuda a mulher a reconhecer sinais de alerta e a buscar atendimento com mais agilidade. Informação de qualidade é uma ferramenta de saúde pública”, afirma Dra. Clarissa Baldotto.

  

Para a diretora do GBECAM, Dra. Laura Testa, ampliar o acesso a informações confiáveis sobre o rastreamento do câncer de mama é fundamental para fortalecer o diagnóstico precoce. A especialista destaca que iniciativas de conscientização ajudam a combater mitos e receios que ainda cercam a doença, muitas vezes alimentados por informações equivocadas, o que pode gerar insegurança e afastar pacientes das consultas e exames preventivos. A médica também ressalta: “Além do rastreamento, a adoção de hábitos saudáveis desempenha papel essencial na prevenção. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e evitar o consumo de álcool pode parecer simples e trivial, mas tem impacto importantíssimo na redução do risco de diversos tipos de câncer”, complementa.

  

Colo do útero: aumento de incidência em quase 14%

Apesar de ser considerado altamente prevenível por meio da vacina contra o HPV, o câncer do colo do útero ainda apresenta números expressivos no país. A estimativa de casos novos para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 19.310. No último levantamento, eram estimados cerca de 17 mil casos, o que representa um aumento de aproximadamente 13,5% na incidência da doença. A infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano) é o principal fator de risco.

  

Para a presidente do Grupo EVA, Dra. Andrea Gadelha, o problema central não é a ausência de tecnologia, mas a dificuldade de ampliar a cobertura preventiva. “Nós temos vacina contra o HPV e exames capazes de identificar lesões antes que se tornem câncer. O desafio está em garantir acesso e adesão. Nenhuma mulher deveria morrer de uma doença que pode ser prevenida ou tratada quando diagnosticada precocemente”, afirma.

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Ela ressalta que desigualdades regionais e barreiras socioeconômicas ainda interferem no rastreamento adequado. “Precisamos falar sobre câncer ginecológico fora do ambiente hospitalar. Informação clara e acessível é uma forma de reduzir desigualdades.”

Dra. Angélica Nogueira, presidente de honra da SBOC, idealizadora e Diretora de Planejamento do EVA, resume que a mensagem central do novo relatório do INCA é o aumento de incidência, uma vez que não houve aumento populacional no Brasil. “O que chama atenção é alta na incidência principalmente em doenças passíveis de prevenção prímaria ou secundária”, diz a Dra. Angélica. “Houve também aumento na incidência de outras doenças como o câncer de intestino, que também é uma doença passível de prevenção primária, com a colonoscopia, por exemplo. O câncer de colo de útero pode ser evitado com vacinação, rastreio com HPVDNA, que são novas tecnologias. Mas o Papanicolau também pode evitar a doença, e observamos que a cobertura inadequada do Papanicolau ao longo de décadas não teve efeito em queda de incidência. Câncer de colo de útero continua sendo a terceira causa de câncer na mulher e ao invés de reduzir esse aumento real de incidência, registramos mais casos. Isso é um alerta para as novas tecnologias sendo incorporadas, como o rastreio com HPVDNA, como vacinação. Ou seja, sem cobertura adequada, tecnologias ótimas, como sempre foi o Papanicolau, não atingem o seu potencial.”

Câncer colorretal: desafio do momento com quase 16,5% de aumento na incidência

O câncer colorretal já ocupa posição de destaque em incidência entre mulheres. O número estimado de casos novos de cânceres de cólon e reto para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 53.810 casos. Desse total, estima-se que 27.540 casos ocorram entre as mulheres. O que representa um aumento de registros de casos de 16,4% em relação ao triênio
de 2023 a 2025. A colonoscopia permite tanto a detecção precoce quanto a retirada de lesões precursoras.

  

Segundo a presidente do GTG, Dra. Maria Ignez Braghiroli, a articulação entre sociedades de especialidades é essencial para somar esforços e promover um cuidado integral à saúde da mulher, favorecendo melhores resultados em prevenção, diagnóstico precoce e aprimoramento do tratamento. “Essa colaboração impacta positivamente milhares de pacientes e contribui para o fortalecimento do sistema de saúde como um todo”, comenta.

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Câncer de pulmão: alta de 14,5% no número de casos novos e enfrentamento ao tabagismo
O câncer de pulmão permanece entre os mais incidentes, mesmo com a redução do tabagismo nas últimas décadas. O número estimado de casos novos de cânceres de traqueia, brônquio e pulmão para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 35.380 casos, com risco estimado de 16,51 casos por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 16.650 entre as mulheres, um aumento de 14,5% em relação ao triênio de 2023 a 2025.

  

Especialistas apontam também o impacto do tabagismo passivo e da poluição. Aproximadamente 85% dos casos diagnosticados possuem alguma relação com o consumo de tabaco e derivados. Mas, apesar de o tabagismo ser o principal fator de risco para essa doença, outros fatores como poluição, tabagismo passivo e exposição à radiação natural (radônio) e agentes químicos, como arsênico e amianto, também influenciam no desenvolvimento da doença.

  

Para a presidente eleita do GBOT, Dra. Samira Mascarenhas, a “informação é nossa maior aliada em qualquer contexto, especialmente na saúde, pois o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.” Como as mulheres tendem a iniciar o consumo de tabaco em idade mais avançada e o câncer pode levar cerca de 20 anos para se manifestar após a exposição ao cigarro, os impactos do tabagismo de décadas anteriores ainda são observados. “Além disso, há indícios de que elas possam ter maior vulnerabilidade a carcinógenos ambientais, como a poluição do ar, embora essa associação ainda não esteja totalmente esclarecida”, explica.

  

Programação do evento Mulheres em AntecipaAção
● Fatores de risco além do óbvio – Fatores de risco que costumam receber menos atenção nas conversas com mulheres: 14h25 às 15h20
● Rastreamento cenário privado e SUS, alto risco e disparidades – “O que rastrear” para o “quem consegue, de fato, ser rastreado: 15h20 às 16h
● Advocacy e participação social – Como advocacy aproxima informação, direitos, pesquisa e políticas públicas da vida real das mulheres: 16h às 16h
● Paciente falando de advocacy
● Debate
● Perguntas finais
● Encerramento: 16h35 às 17h
● Cocktail:  17h às 18h

Serviço:
Evento: Mulheres em AntecipAÇÃO: Autoconhecimento é Poder


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