Enxaqueca: como reconhecer e aliviar as crises

Enxaqueca: como reconhecer e aliviar as crises

Condição neurológica vai além da dor de cabeça comum e pode impactar a rotina 

Sensação de latejamento em um lado da cabeça, sensibilidade à luz e ao som, além de náuseas, estão entre os principais sinais da enxaqueca crônica, uma condição neurológica que vai muito além de uma dor de cabeça ocasional e pode comprometer significativamente a rotina e a qualidade de vida dos pacientes. Durante as crises, o tratamento geralmente envolve medicamentos específicos, sempre com orientação médica, como os anti-inflamatórios, utilizados para aliviar a dor e reduzir a inflamação.

De acordo com um levantamento divulgado em 2025 pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), cerca de 34 milhões de brasileiros convivem com a enxaqueca, o que representa aproximadamente 17% da população do país, evidenciando a relevância do tema como questão de saúde pública.

A enxaqueca crônica é caracterizada pela ocorrência frequente de dores de cabeça com sintomas específicos, que podem se manifestar por mais de 15 dias no mês e em crises prolongadas. Embora fatores genéticos tenham papel importante no desenvolvimento da condição, elementos ambientais — como estresse, alterações no sono, alimentação inadequada e mudanças na rotina — também podem desencadear ou intensificar os episódios.

Principais sintomas de alerta

Os sintomas da enxaqueca podem variar de pessoa para pessoa e dependem da intensidade do quadro e dos fatores que agravam a dor. No entanto, de forma geral, os principais sintomas são:

  • dor pulsante, com diferentes níveis de intensidade, podendo ocorrer em toda a região da cabeça ou apenas em um lado, mudando de localização ao longo do tempo;
  • “pontadas” intensas de dor que vão e voltam, além da sensação de pressão na cabeça ou na nuca;
  • náuseas e, às vezes, vômitos;
  • sensibilidade à luz e aos sons;
  • alterações visuais e sensação de formigamento no rosto.
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O último sintoma está diretamente ligado aos casos de enxaqueca com aura, caracterizada por um conjunto de manifestações neurológicas e visuais que podem anteceder ou acompanhar as crises.

Por exemplo, alguns pacientes apresentam formigamento no rosto e, em seguida, desenvolvem uma crise de dor intensa. As formas de aura mais comuns são as visuais, as sensoriais e até mesmo as relacionadas à linguagem, podendo dificultar a comunicação verbal.

Quais são os gatilhos que podem levar a uma crise de enxaqueca? 

Mas, afinal, o que desencadeia uma crise de enxaqueca? Os gatilhos da enxaqueca variam de pessoa para pessoa, mas alguns fatores são bastante recorrentes e ajudam a explicar por que a dor de cabeça intensa surge e por que, em muitos casos, é preciso recorrer a formas de aliviar os sintomas. Entre os principais, destacam-se os seguintes.

  • Estresse emocional: considerado um dos gatilhos mais frequentes, o estresse afeta diretamente o sistema nervoso e pode facilitar o início de uma crise de enxaqueca. Um estudo publicado na revista científica Cephalalgia, da International Headache Society, aponta que cerca de 70% dos pacientes relatam o estresse como fator desencadeante, evidenciando a relação direta entre impacto emocional e dor.
  • Alterações no sono: dormir pouco, em excesso ou ter horários irregulares desregula o funcionamento do cérebro, aumentando a chance de crises.
  • Mudanças hormonais: ocorrem especialmente em mulheres, devido à oscilação do estrogênio, que pode intensificar a frequência e a intensidade das crises ao longo do ciclo menstrual.
  • Alimentação irregular e jejum prolongado: ficar longos períodos sem comer ou se hidratar pode favorecer a crise, já que o organismo entra em desequilíbrio.
  • Estímulos sensoriais intensos: luz forte, barulho e cheiros marcantes podem desencadear ou agravar os sintomas, tornando comum a necessidade de repouso e, em alguns casos, do uso de medicamentos anti-inflamatórios, como o cetoprofeno, por exemplo, sempre com orientação médica.
  • Mudanças climáticas: variações de temperatura e pressão atmosférica também são frequentemente associadas ao início das crises.
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De forma geral, identificar os próprios gatilhos da enxaqueca, especialmente em casos de enxaqueca com aura, que envolvem alterações visuais, é uma das estratégias mais importantes para a prevenção, ajudando a reduzir a frequência e a intensidade das crises ao longo do tempo.

Como aliviar a enxaqueca no dia a dia? 

Durante uma crise de enxaqueca, algumas medidas simples podem ajudar a aliviar os sintomas. Deitar em repouso, em um ambiente escuro e silencioso, costuma reduzir a sensibilidade à luz e ao som. 

O uso de compressa fria, como bolsa de gelo ou pano úmido gelado na cabeça, também pode amenizar a dor pulsante. Além disso, manter a hidratação é essencial, já que a falta de água pode intensificar a crise.

Em alguns casos, pode haver indicação do uso de analgésicos, sempre com orientação médica adequada. Isso porque esse tipo de medicamento atua tanto no controle da dor quanto na resposta inflamatória do organismo, que pode estar envolvida nas crises de enxaqueca, contribuindo para a redução dos sintomas.

Tratamento preventivo: quando procurar um médico 

Quando a dor é muito intensa, dura por longos períodos ou ocorre com frequência, é fundamental buscar avaliação médica. Nesses casos, pode ser necessário acompanhamento profissional e uso de medicações preventivas indicadas por neurologistas para o controle contínuo da enxaqueca crônica.

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Entre as abordagens terapêuticas estão mudanças no estilo de vida, controle de gatilhos e medicamentos para alívio das crises, como analgésicos e anti-inflamatórios. O cetoprofeno, por exemplo, pode ser indicado por alguns médicos conforme o quadro clínico do paciente, sempre com prescrição e orientação profissional.

Para um diagnóstico mais preciso, é importante compreender os sintomas, identificar gatilhos e adotar medidas preventivas. Com acompanhamento adequado, é possível reduzir a frequência e a intensidade das crises e melhorar a qualidade de vida no dia a dia.