O foco na expansão global é explicado pela oportunidade de redução de custos, mitigação de riscos e aumento de receitas
As exportações do Brasil em 2025 atingiram recordes históricos, totalizando US$ 348,676 bilhões de janeiro a dezembro, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O número supera em US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em 2023. Em relação a 2024, o aumento foi de 3,5%.
Mesmo com as incertezas políticas e econômicas, a internacionalização de empresas tem se tornado uma estratégia adotada por gestores brasileiros. O foco na expansão global é explicado pela oportunidade de redução de custos, mitigação de riscos e aumento de receitas.
A internacionalização não significa, necessariamente, abrir uma sede física em outro país, tendo em vista que, os recursos proporcionados pela globalização, pelos meios digitais e pelas facilidades de uma conta digital PJ, por exemplo, favorecem o processo, sem exigência de deslocamento físico.
Estratégias para ganhar espaço no mercado internacional
“Qualquer empresa pode se internacionalizar. O importante é ela estar preparada para ser um player no atual cenário global, oferecendo qualidade e aprendendo a decifrar as particularidades de cada mercado”, destaca o coordenador do Observatório de Multinacionais e da Pós-graduação em Negócios Internacionais da ESPM-SP, Diego Bonaldo Coelho, em entrevista à imprensa.
Para criar um plano de ação estratégico e eficaz, é necessário analisar diversos fatores. O ponto de partida é entender profundamente o produto e o valor que ele oferece. Além disso, definir uma estratégia de entrada no mercado que seja flexível e adaptável é imprescindível. Seguir um passo a passo pode auxiliar neste processo.
Análise de mercado
Além da necessidade ou desejo de explorar novos mercados, o primeiro passo do empreendedor deve ser identificar para onde expandir e como o produto ou serviço será percebido no novo contexto cultural e econômico, ou seja, identificar as oportunidades.
De acordo com pesquisa da Deloitte, 60% das empresas que não conseguem manter operações internacionais sustentáveis falham devido à falta de planejamento adequado.
Para afastar o risco, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indica as ferramentas Trade Map, da ONU, e o Comex Stat, do governo brasileiro, que ajudam a identificar países que mais importam produtos semelhantes, o que auxilia a verificar se há interesse crescente pelo tipo de produto oferecido.
Gestão financeira e cambial
Aspectos como controle de custos, impostos e variações cambiais devem ser monitorados desde o início, já que têm influência direta na sustentabilidade do negócio internacional. O planejamento financeiro deve estar bem estruturado.
É imprescindível ter clareza sobre as possibilidades e limitações da empresa durante a expansão global. Vale avaliar, inclusive, outros meios de ganho de receita ou compensação de despesas, como as vantagens do programa de pontos do cartão, que transformam gastos em recompensas, podendo auxiliar no processo.
Análise legal, tributária e regulatória
Após definir o mercado, é preciso conhecer as leis, normas, regulamentações e regras tributárias locais, desde questões comerciais até aspectos fiscais e trabalhistas.
Logística e operação
Caso se trate de empresas que trabalham com produtos físicos, é essencial considerar a cadeia de suprimentos, o transporte, o armazenamento e a distribuição, o que impacta diretamente na viabilidade e eficiência operacional.
Recrutamento
Esse passo costuma ser desafiador porque consiste em encontrar talentos locais alinhados à cultura da empresa. Se há intenção de levar colaboradores brasileiros para o exterior, é importante compreender o cenário cultural do país-alvo. É preciso adaptar estratégias de marketing, formas de atendimento e, se necessário, o próprio produto ou serviço.
Riscos
É importante considerar os riscos sociais, políticos, econômicos, operacionais e jurídicos, com objetivo de prevenir possíveis complicações. Se for preciso, deve-se elaborar planos de contingência.
Implementação de tecnologias
Adotar plataformas tecnológicas de gestão de negócios pode simplificar processos e centralizar informações. Isso facilita a comunicação entre unidades e melhora a tomada de decisão.
Monitoramento de resultados
É preciso acompanhar os indicadores de sucesso ou fracasso da operação com base nas tecnologias implementadas. Se for preciso, deve-se reavaliar e adaptar as estratégias conforme o feedback do mercado.
Padrões éticos globais
É importante estabelecer princípios éticos que respeitem a diversidade cultural e social dos mercados de atuação. Isso evita conflitos, promove a inclusão e fortalece a imagem da empresa no exterior.
Padrões de sustentabilidade e responsabilidade social
Práticas que gerem impacto positivo no meio ambiente e nas comunidades locais são bem-vindas porque alinham a marca a valores exigidos pelo mercado global.
Redes de contatos e parcerias
Parcerias com associações empresariais e instituições locais são formas de acelerar a adaptação ao novo mercado e entender melhor seu funcionamento. Além disso, de acordo com o Sebrae, construir uma rede de contatos global é fundamental. Isso inclui a participação em feiras e eventos internacionais, encontros de negócios e associações comerciais.
Desenvolvendo uma estratégia de saída
Mesmo com todo o planejamento, nem sempre a expansão empresarial traz os resultados esperados. Por isso, é importante ter um plano de saída que minimize os prejuízos e preserve a reputação da empresa.








