Circulação do Álbum “Retinta” de Kamila Andrade, ocupa espaços em Ribeirão Preto

Circulação do Álbum “Retinta” de Kamila Andrade, ocupa espaços em Ribeirão Preto

Ribeirão Preto (SP), 11 de fevereiro de 2026 – Contar sua vivência, memória e trajetória em forma de música, palavra e posicionamento político norteou a MC ribeirão-pretana Kamila Andrade na produção de seu primeiro álbum e projeto artístico-cultural, Retinta. O trabalho reúne 14 faixas autorais e está em circulação por meio de uma “turnê” por Ribeirão Preto. Lançada no dia 31 de janeiro, a iniciativa afirma o rap como ferramenta de resistência cultural e transformação social e segue agora para uma apresentação, no dia 15, na Cerâmica São Luiz (Rua Municipal, 2-30 – Ipiranga – dentro do Estacionamento do Carrefour da Via Norte), com entrada gratuita e aberta ao público.

  

“Eu decidi contar a minha própria história, porque ser MC é trabalhar com arte da palavra. Existe um colonizador dentro da gente que também pode contar nossas histórias por nós, e eu não queria isso”, afirma Kamila Andrade. O projeto marca o primeiro álbum da artista, um disco independente construído ao longo de um processo que ela define como amadurecimento artístico e pessoal.

  

A produção do álbum começou há um ano, mas as músicas foram escritas ao longo de 16 anos de trajetória de Kamila, iniciada ainda na adolescência, nas batalhas de rima e em projetos socioculturais. “Eu escrevo desde os meus 15 anos. Esse projeto começou ali. É uma vitória para mim conseguir materializar algo tão meu e mostrar para as outras pessoas, para que elas possam se identificar com a minha história também”, comenta a MC.

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Quem ouve Retinta percebe que o álbum dialoga com diferentes estilos musicais, como rap, funk, samba, drill e blues — uma diversidade que reflete a própria dinâmica de vida da artista. “Eu nunca gostei de rotina, nem de repetição. A quebra de gênero traz uma dinamicidade para os ouvidos e deixa o álbum mais orgânico. A minha vida sempre foi assim, diversa”, explica Kamila.

  

Participações especiais
O álbum conta com sete participações especiais, conectando artistas de Ribeirão Preto e do Rio de Janeiro, em colaborações que surgiram de forma espontânea durante o período de gravação da artista na capital carioca. “Nada foi muito planejado. As coisas foram acontecendo de forma orgânica, e isso agregou muito ao disco”, relata. Entre os nomes estão Bidi, Spike, Ferdnam, Jovem Kata, Paína, Alex Gaita, Quimera e Avinny.

  

O projeto Retinta foi financiado pela Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Edital de Chamamento Público nº 006/2024, de incentivo a projetos de produção, circulação e difusão artística no município de Ribeirão Preto.

  

Com esse apoio, foi viabilizada a etapa de gravação do trabalho, permitindo que a artista permanecesse por oito dias no Rio de Janeiro em processo criativo e de produção no estúdio do produtor musical Terror dos Beats, sócio da gravadora “Isso Que É Som de Rap”.

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Por que “Retinta”?
O nome do álbum sintetiza o conceito central do projeto e carrega uma afirmação direta sobre negritude, fazer parte e enfrentamento ao racismo estrutural, especialmente no contexto do interior. “Fala do tom de pele da mulher negra, que muitas vezes não é aceita pela indústria musical. Retinta é a revolução da mulher preta gritando que nosso som é bom e precisa ser ouvido, não por cota, mas por qualidade”, afirma Kamila, ao destacar a importância de ocupar espaços e disputar narrativas no cenário.

  

Volta as origens
Além do álbum físico, Retinta se desdobra em uma série de apresentações gratuitas, pensadas como ações de acesso à cultura e ocupação de espaços. O lançamento aconteceu no dia 31 de janeiro, no Coletivo Fuligem, na Vila Tibério, seguido, no dia 8 de fevereiro, por uma apresentação no campo do Jandaia FC, dentro de um evento de batalha de rima.
O encerramento acontece no dia 15 de fevereiro, na Cerâmica São Luiz (Rua Municipal, 2-30 – Ipiranga – dentro do Estacionamento do Carrefour da Via Norte), com entrada gratuita e aberta ao público. “Voltar para as batalhas de rima com meu próprio álbum é simbólico. Nunca cheguei no gueto de mão vazia, trouxe poesia para o meu povo preto”, destaca.

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Com elaboração e produção de Jeh Cardoso, direção artística de Vinicius Preto e produção musical de Terror dos Beats, Retinta se consolida como uma ferramenta de resistência cultural e transformação social, ampliando a visibilidade do rap feito fora dos grandes centros. Kamila Andrade afirma que o projeto segue em circulação e deve ganhar novas etapas ao longo do ano, com apresentações pelo interior paulista e o início da construção de um segundo álbum. “Retinta é isso: neta de macumbeira e filha de crente. É quem eu sou”, conclui a artista.

  

SERVIÇO:
Apresentação de Kamila Andrade na Cerâmica São Luiz
Data: 15 de fevereiro, domingo
Horário: 16h
Local: Cerâmica São Luiz (Rua Municipal, 2-30 – Ipiranga – dentro do Estacionamento do Carrefour da Via Norte), em Ribeirão Preto.
Entrada: Gratuita e aberta ao público.