Eduardo Jacsenis (Diretor da FuMTran), Luís Guilherme Kolle (Presidente da AEAMESP), Ayrton Camargo (Vice-presidente da AEAMESP), Regina Rezende (Arqueóloga do IPHAN) e Wilson Nagy Lopretto (Diretor da Estrada de Ferro Campos do Jordão)
A Fundação Memória do Transporte (FuMTran) participou como apoiadora institucional da 31ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, realizada de 16 a 19 de setembro no Nikkey Palace Hotel, em São Paulo. Na quinta-feira (18), a FuMTran esteve representada por seu diretor, Eduardo Jacsenis, no Painel Memória Ferroviária. A atividade teve como objetivo destacar a importância da preservação da história e do patrimônio ferroviário nacional, ressaltando como o resgate da memória é fundamental para orientar o futuro da mobilidade.
Durante a apresentação, Jacsenis reforçou o papel da FuMTran como guardiã da memória ferroviária, realizando projetos e ações que buscam preservar documentos, relatos, objetos e registros históricos relacionados ao setor. “O propósito essencial da FuMTran é preservar e divulgar a memória do transporte, inclusive do modal ferroviário. Por isso, fazer parte do painel que discute esse tema, num evento tão relevante e organizado pela AEAMESP, só fortalece o compromisso da Fundação”, afirmou o diretor.
A participação da FuMTran aconteceu por meio de convite da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP), promotora do encontro, a partir da indicação da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), parceira da Fundação.
Reconhecida como uma das principais iniciativas voltadas ao desenvolvimento do transporte sobre trilhos no Brasil, a Semana de Tecnologia Metroferroviária reuniu centenas de profissionais, especialistas, empresas, entidades e autoridades do setor. Ao longo de quatro dias, foram promovidos debates técnicos, apresentações de cases de inovação, painéis temáticos, exposições e a entrega do Prêmio Tecnologia & Desenvolvimento Metroferroviários, que valoriza iniciativas que contribuem para a evolução da mobilidade urbana no país.
Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran, destaca a importância da presença de representantes da Fundação no evento. “Reafirmamos nossa responsabilidade com a promoção do conhecimento técnico, o incentivo à troca de experiências e a valorização da ferrovia como parte essencial da infraestrutura nacional. É muito importante para fortalecermos o diálogo entre agentes do setor e contribuir para o de transporte brasileiro”, conclui.
Conheça a expedição que abriu caminho para a Ferrovia Atlântico-Pacífico
O Governo Federal anunciou que pretende concluir, até o fim de 2026, o projeto básico e executivo da Ferrovia Atlântico-Pacífico, ligando Ilhéus (BA) ao porto de Chancay, no Peru, acelerando a integração logística do país com a América do Sul e o comércio com a Ásia. Mais de 30 anos antes, porém, três transportadores brasileiros realizaram uma expedição pioneira por um trajeto similar, levando caminhões do Brasil ao Pacífico e mostrando que conectar o país a rotas internacionais era possível muito antes de projetos logísticos modernos.
Em agosto de 1995, Oswaldo Dias Castro Jr., Oswaldo Xavier Dias e Marcelo Vigneron idealizaram o Projeto Pacífico, expedição que tinha como objetivo levar uma frota de caminhões brasileiros até o Oceano Pacífico, cruzando a Bolívia, o Chile e o Peru. O marco foi registrado no livro “A Caminho do Oeste, do Brasil ao Pacífico sobre rodas”, que está disponível para leitura no portal da Fundação Memória do Transporte (FuMTran). A expedição antecipou discussões que ainda hoje estão em pauta, como os projetos de integração bioceânica.
Três décadas depois, em 2025, a Fundação Memória do Transporte (FuMTran) incorporou oficialmente os depoimentos dos três pioneiros ao seu acervo virtual. A instituição reúne mais de 20 mil itens digitalizados e agora também preserva esse episódio, que passa a estar disponível para consulta pública no Museu Virtual da Memória do Transporte.
Para Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran, revisitar a história do Projeto Pacífico é valorizar a coragem e a visão de futuro de quem ousou sair do comum. “A expedição foi muito mais que uma rota inédita. Ela mostrou como o transporte tem papel fundamental na integração continental, aproximando culturas, economias e pessoas. Ao resgatar essa história, reforçamos a importância de preservar a memória de quem abriu caminhos que ainda hoje inspiram o setor”, informa o presidente.
O percurso, que levou semanas, exigiu preparação meticulosa: revisão dos caminhões, estudo dos trajetos possíveis, documentação para atravessar fronteiras e o cuidado extra com a altitude andina, que representa um desafio tanto para os motoristas quanto para os motores dos veículos. “A cada cidade alcançada, o comboio brasileiro despertava curiosidade e era a demonstração concreta de que o transporte rodoviário poderia ir além das fronteiras tradicionais e conectar o Brasil diretamente ao Pacífico” complementa.
O presidente reforça que a preservação dessa memória vai além do registro histórico. “A saga não foi apenas sobre vencer distâncias, mas sobre mostrar que a logística brasileira podia se reinventar e assumir protagonismo internacional. Hoje, quando vemos corredores logísticos modernos ligando o Brasil a portos estratégicos no Oceano Pacífico, lembramos que tudo começou com a coragem de três visionários que desbravaram estradas desconhecidas em condições extremas “.
“Registrar e preservar o Projeto Pacífico é essencial para entendermos a evolução da logística no país. Os documentos disponibilizados em nosso museu oferecem base concreta para estudos e planejamento, mostrando como operações complexas podem ser estruturadas e executadas com eficiência”, conclui.
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