Pesquisa da Unifesp propõe tecnologia com inteligência artificial para diagnóstico precoce do autismo

Pesquisa da Unifesp propõe tecnologia com inteligência artificial para diagnóstico precoce do autismo

Artigo publicado na Scientific Reports (Nature) apresenta método inovador usando imagens faciais e deep learning, com mais de 92% de acurácia.

Identificar precocemente o Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode transformar a vida de crianças, famílias e profissionais de saúde, mas o processo tradicional de diagnóstico, baseado em entrevistas e observações clínicas, é complexo, subjetivo e muitas vezes inacessível em diversas regiões. Pensando nesse desafio, um estudo liderado por Rodrigo Colnago Contreras, docente do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (ICT/Unifesp) – Campus São José dos Campos, desenvolveu um sistema inovador que utiliza técnicas de inteligência artificial para detectar sinais de autismo a partir de uma simples foto do rosto da criança.fvff

O trabalho, publicado recentemente na Scientific Reports, do grupo Nature, propõe uma abordagem que alia tecnologia de ponta a uma necessidade urgente de saúde pública: ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e objetivo do TEA.

  

“Nossa proposta é democratizar e agilizar o processo de identificação do autismo, usando tecnologias avançadas para apoiar médicos, educadores e famílias no reconhecimento precoce dos sinais do transtorno”, afirma Rodrigo Contreras.

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O diferencial do estudo está na aplicação de deep transfer learning, uma técnica de aprendizado de máquina que utiliza redes neurais profundas previamente treinadas — como aquelas usadas em sistemas de reconhecimento facial e de objetos por grandes empresas de tecnologia — e as adapta para identificar traços visuais associados ao autismo.

  

Essa abordagem permite que o sistema funcione bem mesmo com poucos dados, uma característica fundamental para o ambiente médico, onde bases de dados extensas nem sempre estão disponíveis. O processo evita etapas complexas de re-treinamento, economiza tempo e recursos e ainda garante alta precisão.

  

A ferramenta analisa imagens faciais para detectar padrões sutis que podem ser indicativos de TEA. Nos testes realizados, o sistema atingiu uma taxa de acurácia superior a 92%, superando abordagens tradicionais e demonstrando seu potencial como um instrumento de triagem rápida, eficiente e acessível.

  

“Utilizamos métodos de inteligência artificial que extraem características faciais imperceptíveis ao olho humano, mas que, em conjunto, formam um perfil confiável para apoio ao diagnóstico. A taxa de acurácia que alcançamos mostra que a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na saúde”, explica o pesquisador da Unifesp.

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Potenciais impactos para o diagnóstico do TEA

A proposta de usar imagens faciais, somada ao poder de algoritmos de aprendizado profundo, tem um impacto potencial enorme: facilitar o diagnóstico precoce em larga escala, inclusive em locais com poucos especialistas ou infraestrutura limitada. Isso pode ajudar a iniciar intervenções terapêuticas mais cedo, fator decisivo para melhorar o desenvolvimento social, cognitivo e de comunicação de crianças no espectro.

  

Embora o sistema não substitua a avaliação clínica tradicional, ele funciona como uma importante ferramenta complementar de triagem. Em contextos de atenção básica à saúde, programas escolares ou campanhas de saúde pública, poderia ser usado para identificar precocemente crianças com maior risco, encaminhando-as para avaliação especializada.

  

“Queremos oferecer uma ferramenta que funcione como um primeiro passo, que permita que mais crianças sejam avaliadas de forma ágil e segura. Diagnosticar o autismo cedo é dar mais oportunidades de desenvolvimento e inclusão”, reforça Contreras.

  

Desenvolvimento futuro

O grupo de pesquisa pretende expandir os testes clínicos, validar a tecnologia em diferentes perfis populacionais e trabalhar em versões do sistema adaptadas para dispositivos móveis. Um aplicativo, por exemplo, poderia levar o recurso para ainda mais pessoas, especialmente em regiões remotas.

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Além disso, estudos adicionais buscarão combinar essa análise de imagens com outras informações (como dados comportamentais simples) para refinar ainda mais a precisão da identificação.

  

“Nosso compromisso é seguir aprimorando a ferramenta para que ela esteja disponível como um apoio efetivo aos profissionais de saúde e famílias. A tecnologia pode e deve ser aliada na luta por um diagnóstico mais precoce, mais justo e mais inclusivo”, destaca o docente da Unifesp.

  

O artigo pode ser consultado na íntegra pelo link: https://www.nature.com/articles/s41598-025-97708-7