Embora seja um salto econômico para a Europa, ambientalistas ficam preocupados com os impactos do projeto
A União Europeia (UE) planeja fazer uma reestruturação e flexibilização dos requisitos e regras de sustentabilidade aplicados às empresas com o objetivo de reduzir a burocracia, custos e simplificar processos regulatórios para companhias que operam em solo europeu.
Atualmente uma das maiores reclamações do setor empresarial e industrial europeu é a dificuldade e até mesmo contradições, no plano regulatório atual da UE. Burocracia excessiva, diretrizes praticamente impossíveis e padrões muito altos são os maiores entraves para o desenvolvimento verde e inclusão de novas empresas, de modo competitivo, no mercado europeu.
Pressão empresarial para flexibilização
Hoje diversas empresas que estão dentro dos planos de produção verde e redução de emissões de carbono precisam emitir relatórios sobre seus resultados. No entanto, os níveis de exigência impostos pela UE são muito altos e, segundo as empresas, dificultam a competitividade global com cargas desproporcionais, especialmente para as pequenas empresas que não conseguem atender tais regulamentações.
Atualmente, na Europa, toda empresa que possui mais de 250 colaboradores e um faturamento superior a 40 milhões de euros anuais estão sujeitas às fiscalizações ambientais da UE. A proposta de projeto visa aumentar a margem para 1000 colaboradores e um faturamento superior a 450 milhões de euros para que sejam instauradas as fiscalizações, liberando o mercado de pequenas e médias empresas das fiscalizações mais duras.
A medida visa aumentar a competitividade de empresas europeias em relação aos concorrentes das Américas e da Ásia, onde as fiscalizações ambientais e regulatórias são menores.
Ambientalistas desaprovam a medida
Por outro lado, embora seja um grande incentivo econômico para a Europa, especialistas em ambientalismo criticam a tomada de decisão ao afirmar que isso é um retrocesso em relação às tentativas de redução da pegada de carbono mundial. Órgãos de defesa ambiental do mundo todo alertam que a nova medida vai atrasar o projeto europeu de neutralidade climática até 2025, o chamado Pacto Verde Europeu.
Os analistas mais otimistas encaram a situação de outra maneira, com a redução das obrigações ambientais para as indústrias de pequeno e médio porte pode haver um incentivo de criações de empresas verdes, mesmo que não consigam alcançar o alto nível de exigência europeu, mas sem comprometer os critérios de ESG tão importantes para seus investidores.
Não podemos negar que os altos níveis europeus de exigências ambientais não tenham mostrado resultados visíveis, como a despoluição e aumento da navegabilidade de rios, criação de empresas de energia solar líderes de mercado, adoção de medidas firmes para a reciclagem de materiais. A proposta da Comissão Europeia ainda não foi aprovada e precisa passar por muitos debates antes de qualquer tipo de aprovação. Caso o projeto avance, a flexibilização das regras entrará em vigor nos próximos anos e de maneira gradual.s














