Dados mais recentes do painel de saneamento no Brasil, mostram que mais de 45% da população não tem acesso a esgoto tratado no país. Mapa mostra a desigualdade do saneamento básico no Brasil. Especialista em infraestrutura, logística, políticas públicas de habitação e saneamento com mais de 50 de experiência, Paulo César Alves Rocha, repercute como a falta de planejamento para saneamento básico atrasa o país.
De acordo com o painel de saneamento básico do instituto trata Brasil, 89% da parcela da população da região Norte não possui coleta de esgoto, são 440.082,09 (mil m³) de esgoto não tratado. A região norte do Brasil tem ainda 41,1% sem acesso a água tratada. Os dados também abrangem as regiões: Nordeste com 69,9% da população sem coleta de esgoto, Sudeste com 19,5%, Sul com 52,6% e Centro – Oeste com 40.5% sem esgoto tratado.
Os dados são ainda mais alarmantes quando analisamos a projeção em cada estado, possuindo regiões com mais de 90% sem coleta de esgoto. No Amapá por exemplo, 93,1% da população não possui a coleta de esgoto. Outros estados como: Rio Grande do Norte e Santa Catarina com 73,9%, Rio de janeiro com 33% e São Paulo com 9,4% de esgoto não tratado.
De acordo com Paulo César Alves Rocha, que é especialista em infraestrutura e logística sociais e tem mais de 50 anos de experiência, o Brasil precisa implementar de fato um marco legal de saneamento básico, além de atualizar a legislação para uso da água.

Dia do engenheiro de saneamento
Hoje, quarta – feira, 13, é celebrado o dia do Engenheiro de Saneamento Básico. Porém para o especialista há pouco o que se comemorar. Para ele, falta sintonia entre os agentes envolvidos e legislação que dê segurança jurídica nas questões ligadas ao uso da água e saneamento básico no Brasil. O expert cobra que seja estabelecido o novo marco legal de saneamento.
“Tanto a população ribeirinha, quanto industrias e agricultura, devem zelar por não poluir os mesmos Rios, devendo haver penalidades para quem devolva ao Rio ou ao Mar esgoto não tratado, assim como lixo que é lançado de qualquer maneira e termina nos rios e mares”, explica Paulo César Alves Rocha .
Outras Recomendações
Paulo César Alves Rocha, como especialista com meio século de experiência, recomenda algumas políticas para, de fato, solucionar os problemas envolvendo o uso de água no Brasil. Segundo ele, a falta de uma gestão clara e proativa na questão do saneamento básico impede o crescimento do país. Veja abaixo algumas recomendações do especialista:
1 – Deve-se penalizar quem joga lixo na rua e quem têm imóveis que possuem rede de esgotos sanitários disponíveis para ligação, mas que lançam seus esgotos nas redes de águas pluviais.
2 – É preciso estabelecer regulamentação do acesso à água subterrânea, de maneira a enfrentar tanto a exploração desenfreada que pode comprometer as reservas existentes, quanto a dar segurança jurídica aos investimentos feitos com boa-fé.
3 – Regulamentação para o uso de água retirada dos rios, lagoas e reservatórios para uso industrial e na agricultura. Incentivo ao uso útil da água, porque na agricultura e na indústria por exemplo, que é o setor de maior consumo de água, providencias simples e de custo baixo poderiam resultar em enorme economia de água, mas com incentivos e não cobrança de tributos, qualquer incentivo que resulte na diminuição de carga tributária faz com que os investimentos se tornem mais baratos.
4 – Fomentar a existência de incentivos fiscais para a micro e mini geração própria de energia elétrica. São tantos os casos que não dá para enumerá-los, mas temos que ter incentivos para projetos de geração própria de energia elétrica. Exemplos são poços de água subterrânea que podem ser acionados por células fotoelétricas.
5 – Estabelecer a existência de incentivos fiscais para o reuso de água tanto em residências como na indústria e comércio. São tantos os casos que não dá para enumerá-los pois seriam os mais diversos e com um efeito multiplicador enorme, sendo vários os casos em que se pode fazer o reuso de água. Melhor explicação do termo reuso, pois na prática já existe este reuso em cidades localizadas na mesma bacia hidrográfica.
6 – Promover a recuperação das nascentes dos rios, com incentivo a projetos de recuperação dos olhos d’água, como explicado pelo Sebastião Salgado.
*Paulo César Rocha é especialista em infraestrutura, logística e comércio exterior com mais de 50 anos de experiência em infraestrutura, transportes, logística, inovação, políticas públicas de habitação, saneamento e comércio exterior brasileiro. Mestre em Economía y Finanzas Internacionales y Comércio Exterior e pós-graduado em Comércio Internacional pela Universidade de Barcelona. É mestre em Engenharia de Transportes (Planejamento Estratégico, Engenharia e Logística) pela COPPE-UFRJ. Pós-graduado em Engenharia de Transportes pela UFRJ e graduado em Engenharia Industrial Mecânica pela Universidade Federal Fluminense. Tem diversos livros editados nas Edições Aduaneiras.







